No artigo anterior, vimos como o parecer médico psiquiátrico da Força Aérea Brasileira (FAB) tentou enquadrar os eventos da Amazônia, investigados pela “Operação Prato” como um surto de ansiedade coletiva. No entanto, enquanto os relatórios de gabinete buscavam reduzir o pânico a um diagnóstico psicológico, os agentes do serviço de inteligência da FAB (a 2ª Seção do I COMAR) coletavam em campo evidências materiais brutas que contrariavam a tese oficial.
A principal contestação técnica ao acobertamento veio de dentro da própria estrutura médica local: a Dra. Wellaide Cecim Carvalho, responsável pela Unidade de Saúde de Colares. O que ela atendeu e documentou em seu consultório desafiou a narrativa governamental.
🩺 O Quadro Clínico Real: A Diferença entre Crise Nervosa e Lesão Física
Ao ser entrevistada sigilosamente pelos oficiais de inteligência (registro que consta no Relatório Operacional Bruto), a Dra. Wellaide contestou a hipótese de que seus pacientes sofressem apenas de episódios somáticos ou emocionais.
Para preservar sua reputação ética, a médica evitou declarações públicas alarmistas na época. Contudo, nos relatórios confidenciais da FAB, ela detalhou marcadores clínicos inequívocos:
- Paresia e Amortecimento Específico: As vítimas apresentavam paresia (perda parcial de força e sensibilidade). Diferente das crises de ansiedade convencionais — nas quais o amortecimento costuma ocorrer nas extremidades (mãos e pés) —, nos pacientes afetados pelo fenômeno o sintoma concentrava-se em áreas anatômicas específicas: na região cervical (sobre a veia jugular) nos homens e na região mamária nas mulheres.
- Lesões por Queimadura de 1º Grau: Os atingidos apresentavam lesões cutâneas com hiperemia intensa e descamação do tecido epitelial.
- Marcas de Microperfurações: No centro da área acometida, a médica identificou pequenas púncturas na pele, semelhantes a marcas de agulha hypodérmica.
A Dra. Wellaide registrou com firmeza aos investigadores: embora não confirmasse que as vítimas tivessem sido “sugadas” em termos místico-populares, afirmou categoricamente que os pacientes foram atingidos por um facho de luz de características físicas desconhecidas.
🛌 Os Relatos Proibidos nas Fichas de Inteligência (FOs)
Os arquivos desclassificados contêm dezenas de depoimentos de informantes civis (catalogados sob os códigos FO) que detalham as agressões físicas sofridas:
1. O Foco de Luz através do Telhado (José Jorge dos Santos)
Na madrugada de 23 de outubro de 1977, José Jorge relatou que uma luz intensa atravessou as fendas do telhado de sua residência, atingindo seu pescoço. Ao tentar afastar o foco luminoso, sentiu elevação de temperatura local e torpor imediato no lado direito da cervical. Ele reportou tontura e cefaleia intensa durante uma semana. Pela manhã, a família encontrou salpicos de sangue nas roupas de cama.
2. O Feixe de Luz Verde (Claudomira Rodrigues da Paixão)
Claudomira repousava em sua rede quando uma luminosidade esverdeada tomou o quarto. O feixe percorreu seu corpo e fixou-se no seio esquerdo. Ao tentar pedir socorro, sofreu inibição da fala e paralisia motora temporária. Encaminhada pela Dra. Wellaide ao Instituto Médico Legal (IML), a perícia constatou a presença de uma lesão por queimadura delimitada no tecido mamário.
3. A Lesão de 25 Centímetros (Raimundo Galvão Trindade)
Raimundo era abertamente cético sobre os relatos do “chupa-chupa”. No entanto, na madrugada de 15 de outubro, despertou com o ambiente iluminado por um clarão verde e uma forte pontada na perna. Nos dias seguintes, a área evoluiu para uma queimadura ovalada de 25 centímetros de comprimento por 14 centímetros de largura na face interna da coxa direita, com descamação epidérmica acentuada.
📋 Quadro Comparativo: Tese Oficial vs. Evidências de Campo
| Aspecto Analisado | Parecer Médico-Militar (Gabinete) | Registros de Campo (Dra. Wellaide / FOs) |
| Origem dos Sintomas | Estresse e crise de ansiedade coletiva | Exposição direta a facho de luz anômalo |
| Padrão de Amortecimento | Generalizado / Extremidades (Somatização) | Localizado (Jugular em homens, seios em mulheres) |
| Marcadores Cutâneos | Ausentes (Apenas palidez/frio) | Queimaduras de 1º grau e microperfurações |
| Consistência do Relato | Transmissão por pavor e boato público | Relatos idênticos em vilas sem comunicação |
📄 O Veredito dos Agentes de Inteligência, a Operação Prato precisa evoluir
A congruência nos sintomas relatados por moradores de localidades isoladas — que não possuíam meios de comunicação entre si — evidenciou para a equipe do I COMAR a existência de um padrão físico indiscutível.
As lesões biológicas registradas na pele das vítimas desconstruíram a tese de que os eventos se restringiam a uma crise psíquica. A partir desse ponto, o serviço de inteligência da FAB compreendeu que a Operação Prato precisava evoluir: deixava de ser uma simples checagem de saúde comunitária para se tornar uma operação de monitoramento militar de alta complexidade.
No Próximo Episódio… No Episódio 3 desta minissérie, entraremos no coração operacional da missão: a liderança direta do Capitão Uyrangê Hollanda, o uso de lentes teleobjetivas de 1.200mm, a instalação de teodolitos no campo de futebol de Colares e o registro oficial das chamadas “Naves Mãe” sobre a Baía do Sol. Acompanhe!
1 comentário em “Operação Prato (Parte 2): O Fator Wellaide Cecim e as Marcas Físicas que o Governo Tentou Esconder”