Operação Prato (Parte 4): O Mistério dos Buracos Simétricos na Fazenda Jejú

Até a metade de dezembro de 1977, os diários operacionais da Operação Prato acumulavam fotos, registros cinematográficos e dados de observação sobre objetos que cruzavam o litoral e os rios do Pará. Contudo, no dia 16 de dezembro, o serviço de inteligência do 1º Comando Aéreo Regional (I COMAR) recebeu uma notificação que alteraria o foco da investigação militar: o fenômeno havia tocado o solo na Fazenda Jejú, deixando marcadores físicos e topográficos em terra firme.

Uma equipe de operações deslocou-se para a zona rural do município de São

Domingos do Capim, acessando o ramal da rodovia PA-47. O destino era a Fazenda Jejú, de propriedade do Sr. Expedito. O que os agentes de inteligência encontraram, mediram e desenharam lá compõe um dos relatórios técnicos mais intrigantes de toda a missão.

🕳️ A Geomorfologia do Solo na Fazenda Jejú

Acionados pelo proprietário da fazenda após a localização de depressões simétricas na vegetação, os agentes Nascimento, Pinto e Pinheiro dirigiram-se ao local em uma viatura descaracterizada para conduzir a perícia.

Além do registro fotográfico com câmeras Minolta SRT-101, os militares utilizaram instrumentos de medição direta para elaborar o croqui do corte vertical do solo, anexado oficialmente ao relatório RJU – 01 do I COMAR:

📐 Dados Técnicos do Croqui Militar (Relatório RJU – 01):

  • Geometria das Depressões: Duas aberturas quadrangulares/cilíndricas simétricas medindo 60 centímetros de largura por 60 centímetros de profundidade cada uma.
  • Eixo de Distanciamento: As incisões encontravam-se dispostas de forma rigorosamente paralela, separadas por uma distância central de 1,60 metro entre si.
  • Compactação do Solo: A análise da equipe registrou que a terra no interior dos furos encontrava-se adensada por ação mecânica de compressão.

O laudo preliminar anotou a ausência de solo revolvido nas bordas laterais ou marcas de ferramentas mecânicas manuais tradicionais, indicando a aplicação de força vertical sobre o terreno.

🛸 O “OVNI Pião” sobre o Ramal da Piçarreira

Decididos a monitorar a área, os militares estabeleceram pontos de vigília nos arredores da fazenda, em um setor de mineração de cascalho conhecido como Piçarreira. Na madrugada de 17 de dezembro de 1977, às 00h30, os agentes registraram o retorno do artefato luminoso.

O relatório operacional descreve a tentativa de interceptação e acompanhamento em rota pela estrada de terra:

  1. Aproximação e Estabilização: Procedente do setor Noroeste rumo ao Sudeste, o corpo luminoso desceu em ângulo acentuado, estabilizando sua trajetória a 400 metros de altitude.
  1. Manobra a Baixa Altitude: Ao aproximar-se da Piçarreira, o objeto desacelerou e reduziu sua altitude até flutuar a aproximadamente 70 metros do solo, posicionado logo acima do topo da vegetação.
  1. A Rotação de “Pião”: Os agentes Nascimento e Pinto anotaram que o artefato se sustentava no ar enquanto girava velozmente sobre seu próprio eixo vertical, comportando-se exatamente como um pião.
  1. Assinatura Óptica: Sua coloração inicial, em tom amarelo-avermelhado, alternava constantemente para um matiz branco-azulada de altíssima intensidade luminosa.

Após permanecer em sustentação sem produzir qualquer ruído de motor ou deslocamento de ar audível, o objeto iniciou uma ascensão suave, aumentou a velocidade de forma progressiva e evadiu-se entre a copa das árvores.

📊 Ficha do Incidente da Fazenda Jejú (17/12/1977)

Parâmetro AnalisadoRegistro no Documento Oficial (RJU – 01)
Localização do SoloRamal da Rodovia PA-47, São Domingos do Capim (PA)
Dimensões das Marcas2 buracos de 60cm de profundidade x 1,60m de distância
Altitude do Objeto70 metros sobre a área da Piçarreira
Dinâmica de VooRotação sobre o eixo vertical (“Comportamento de Pião”)
Equipe de CampoAgentes Nascimento, Pinto e Pinheiro (2ª Seção A2)

📄 O Impacto das Provas Materiais

O rastreamento na Fazenda Jejú marcou um ponto de inflexão na Operação Prato. A identificação de alterações físicas e topográficas no terreno, somada aos registros de vetoração e azimute a 70 metros de distância das viaturas de inteligência, afastou as hipóteses de reflexos atmosféricos ou equívocos de observação técnica.

A documentação gerada na PA-47 evidenciou que a Força Aérea Brasileira catalogava eventos com impacto direto no solo rural do estado. Diante da gravidade dos relatórios de São Domingos do Capim, oficiais de alta patente do I COMAR passaram a acompanhar as etapas finais de monitoramento em campo.

No Próximo Episódio… No Episódio 5 (Final) desta minissérie, encerraremos os arquivos secretos da Operação Prato: analisaremos as rotas cartográficas dos mapas táticos da FAB de dezembro de 1977 e janeiro de 1978, a atuação sigilosa de Tenentes-Coronéis nas proximidades de Belém e os motivos que levaram ao encerramento oficial da missão. Não perca a conclusão!

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