Operação Prato (Parte 5): O Prolongamento Secreto e o Arquivo Final de 1978

Chegamos ao capítulo conclusivo da nossa minissérie e é aqui que a narrativa oficial se contrapõe aos fatos documentados. Se você pesquisar em livros tradicionais de história ou ufologia, lerá que a Operação Prato foi sumariamente encerrada pelo Comando da Aeronáutica na primeira semana de dezembro de 1977, O Prolongamento Secreto nunca foi mencionado. Os militares teriam recolhido o equipamento, o Capitão Hollanda teria retornado a Belém e o caso teria sido arquivado.

Contudo, os relatórios operacionais brutos revelam uma realidade bem diferente e trazem à tona O Prolongamento Secreto: a missão continuou ativamente em janeiro de 1978. A estratégia militar mudou: a equipe deixou o litoral profundo e estruturou um monitoramento tático nas proximidades da capital paraense, operando nas regiões de Benfica, Olaria Keuffer e Rio Guajará.

🗺️ A Revelação dos Mapas Táticos do I COMAR

O acervo desclassificado traz uma série de mapas geográficos e cartas de navegação desenhados à mão pelos analistas de inteligência do 1º Comando Aéreo Regional. Os militares dividiram a região em setores cartográficos estratégicos (Belém, Ananindeua, Benfica, Benevides, Capanema e Bragança) para mapear o padrão de deslocamento dos UAPs:

  • O Corredor de Novembro de 1977: As cartas mostram que, inicialmente, os objetos seguiam trajetórias lineares e previsíveis. Entravam pelo norte (procedentes de Colares e da Baía do Sol) e desciam em rumo sul, cruzando a calha do Rio Guamá.
  • A Convergência de Dezembro de 1977: Nas cartas do final do ano, os analistas desenharam vetores que indicam uma alteração tática. Múltiplos objetos passaram a convergir de três direções simultâneas (Leste, Sudeste e Sudoeste), fechando o perímetro exatamente sobre as áreas onde as equipes militares realizavam observações.

🚨 Janeiro de 1978: Tenentes-Coronéis e Vigílias a 25 Metros de Altura

Com a aproximação do fenômeno da zona metropolitana de Belém, a Aeronáutica mobilizou oficiais de alta patente para as vigílias de janeiro de 1978. Os relatórios operacionais assinados pelo 1º Sargento Flávio detalham as ações do período:

📹 O Incidente na Olaria Keuffer (24/01/1978)

Às margens do Rio Guajará, em Benfica, o Tenente-Coronel Aviador Vasconcelos tentou registrar em película cinematográfica Super-8 o deslocamento de um corpo luminoso amarelo avermelhado que manobrava a apenas 300 metros de altitude. O relatório anotou a falha de registro: “sem resultado, equipamento com defeito técnico”.

🗼 O Posto de Observação na Caixa d’Água (27/01/1978)

No Porto Laranjeira, a equipe militar instalou um ponto de observação no topo de uma caixa d’água de 25 metros de altura para superar a barreira da copa das árvores. Permaneceram em vigília durante a madrugada o 1º Sargento Flávio, o Tenente-Coronel Aviador Viriato e um engenheiro químico convidado como consultor técnico.

🗺️ Ficha Técnica da Fase Urbana (Janeiro/1978)

Parâmetro AnalisadoRegistro no Documento Oficial (A2 / 1º COMAR)
Locais de OperaçãoBenfica, Olaria Keuffer, Rio Guajará e Porto Laranjeira
Ponto de ObservaçãoEstrutura elevada / Caixa d’água de 25 metros de altura
Oficiais em CampoTen.-Cel. Av. Vasconcelos e Ten.-Cel. Av. Viriato
InstrumentaçãoFilmadoras Super-8, Câmeras Ópticas e Transceptores CET

🛸 O Fenômeno que Evitava o Clarão da Capital

Os diários operacionais de janeiro de 1978 registraram um padrão comportamental que afastou as hipóteses de fenômenos astronômicos passivos:

Na madrugada de 27 de janeiro, às 23h32, a equipe do Tenente-Coronel Viriato detectou um objeto a 900 pés de altitude realizando uma trajetória sinuosa (“proa variável / serpeando”).

O relatório anotou um dado relevante de inteligência: ao aproximar-se do perímetro urbano iluminado de Belém, o objeto executou uma curva acentuada de 180 graus, invertendo a proa de volta para o norte (em direção aos observadores), reduzindo a velocidade e apagando sua luminosidade a 3.000 metros de distância.

Às 01h08 daquela mesma noite, outro artefato repetiu a manobra: aproximou-se da margem da cidade e, ao contornar o clarão urbano, realizou uma curva à direita rumo ao Nordeste, desvanecendo exatamente na mesma coordenada geométrica do objeto anterior. Os dados indicavam que os artefatos monitoravam a presença militar, mas evitavam a exposição direta sobre a área adensada da capital.

🎬 O Veredito dos Arquivos da Operação Prato

Encerrando a análise desse acervo documental de 500 MB, a linha do tempo se estabelece:

  1. Outubro de 1977: O laudo médico-psiquiátrico que buscou atribuir o cenário a quadros de ansiedade coletiva;
  1. Novembro de 1977: Os prontuários de queimaduras e microperfurações documentados pela Dra. Wellaide Cecim;
  1. Dezembro de 1977: O registro de acoplamento de estruturas em Mosqueiro e a análise topográfica do solo na Fazenda Jejú;
  1. Janeiro de 1978: O monitoramento urbano conduzido por Tenentes-Coronéis nas divisas de Belém.

A Operação Prato consolida-se como um dos dossiês militares de investigação sobre Fenômenos Anômalos Não Identificados (UAPs/OVNIs) mais detalhados e documentados da história contemporânea.

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